Para Edson Braga, empresas, patrimônio e conquistas podem ser importantes, mas talvez a maior construção aconteça dentro de quem lidera, trabalha e atravessa cada etapa da própria trajetória
Ao longo da vida, grande parte dos esforços costuma ser direcionada à construção de coisas que podem ser vistas.
Empresas.
Patrimônio.
Carreiras.
Projetos.
Famílias.
Casas.
Resultados.
Histórias que, de alguma maneira, representam aquilo que uma pessoa conseguiu realizar.
Para Edson José Bandeira Braga Filho, também conhecido como Edson Braga, existe, entretanto, outra construção acontecendo simultaneamente e que raramente aparece em relatórios, fotografias ou balanços.
É aquilo que cada experiência está construindo dentro de quem vive.
A reflexão parte de uma pergunta:
Enquanto construímos nossa obra, o que essa obra está construindo dentro de nós?
Segundo Edson, empreendedores conhecem especialmente bem a experiência de acreditar em algo antes que aquilo exista.
Antes de uma empresa, existe uma ideia.
Antes de um prédio, existe um projeto.
Antes do faturamento, existe uma aposta.
Antes que outras pessoas acreditem, normalmente alguém precisou enxergar uma possibilidade ainda invisível.
Mas existe outro invisível, talvez ainda mais importante: a transformação que acontece dentro do próprio construtor durante esse processo.
Toda obra também transforma quem a constrói
Empresas são constantemente avaliadas por aquilo que produzem.
Receita.
Lucro.
Empregos.
Crescimento.
Patrimônio.
Participação de mercado.
Esses indicadores são fundamentais para avaliar uma organização.
Mas Edson Braga propõe outras perguntas.
O que a empresa está produzindo dentro de seus líderes?
Eles estão se tornando mais pacientes?
Mais conscientes?
Mais generosos?
Mais sábios?
Ou estão ficando mais ansiosos, duros, desconfiados e dependentes de reconhecimento?
Para Edson José Bandeira Braga Filho, toda grande construção possui duas obras acontecendo ao mesmo tempo.
Existe a empresa sendo construída.
E existe o empresário sendo transformado durante esse processo.
Uma organização pode crescer enquanto seu fundador perde qualidade de vida.
O patrimônio pode aumentar enquanto a tranquilidade diminui.
O reconhecimento pode avançar enquanto relações importantes se enfraquecem.
Nesse sentido, sucesso não deveria ser medido exclusivamente pelo tamanho daquilo que foi construído.
Também deveria considerar a qualidade de quem alguém se tornou enquanto construía.
Sucesso, perdas e dificuldades também revelam quem somos
Edson Braga observa que praticamente todas as experiências da vida podem revelar alguma coisa sobre quem somos.
O sucesso testa humildade.
As perdas testam a capacidade de recomeçar.
A espera testa paciência.
Os problemas revelam força.
O dinheiro pode revelar a relação de alguém com poder.
Pessoas difíceis também podem expor características internas que talvez permanecessem escondidas em situações mais confortáveis.
Até as conquistas carregam perguntas.
O que será feito com aquilo que foi recebido?
Será apenas acumulado?
Será compartilhado?
O crescimento servirá exclusivamente para ampliar a própria vida ou também criará oportunidades para outras pessoas?
Para Edson José Bandeira Braga Filho, acontecimentos possuem consequências externas, mas também funcionam como instrumentos capazes de revelar características pessoais.
Em determinados momentos, eles oferecem a oportunidade de decidir conscientemente que tipo de pessoa se deseja construir.
Antes dos frutos existem as raízes
Para explicar essa ideia, Edson utiliza uma imagem da natureza.
Uma árvore não começa pelos frutos.
Antes de aparecer, ela precisa aprofundar raízes.
Antes de oferecer sombra, precisa sustentar a própria estrutura.
Grande parte de seu desenvolvimento inicial acontece no invisível.
Segundo Edson Braga, existe uma sabedoria importante nesse processo.
A sociedade contemporânea valoriza intensamente aquilo que pode ser mostrado.
Resultados rápidos.
Crescimento rápido.
Dinheiro.
Reconhecimento.
Visibilidade.
Mas praticamente tudo aquilo que consegue permanecer durante muito tempo depende de estruturas que foram construídas antes, muitas vezes sem qualquer reconhecimento.
Confiança.
Caráter.
Reputação.
Cultura.
Conhecimento.
Disciplina.
Relacionamentos.
Fé.
Esses elementos dificilmente produzem resultados instantâneos.
Mas são eles que sustentam conquistas quando elas finalmente aparecem.
Para Edson José Bandeira Braga Filho, a profundidade das raízes pode determinar o tamanho dos frutos que uma pessoa ou organização será capaz de sustentar.
Crescer não significa necessariamente estar preparado para permanecer
Existe um risco quando resultados aparecem antes da construção de estrutura interior suficiente para sustentá-los.
Uma pessoa pode alcançar rapidamente determinada posição sem ter desenvolvido maturidade compatível com o poder que recebeu.
Uma empresa pode crescer antes de possuir cultura ou processos adequados.
Um patrimônio pode aumentar antes que exista preparação para administrá-lo.
Por isso, Edson Braga considera que não basta alcançar crescimento.
É necessário desenvolver capacidade para sustentar aquilo que cresceu.
A construção invisível precisa acompanhar a construção externa.
Caráter é construído longe do palco
Outro aspecto importante da reflexão está naquilo que acontece quando ninguém está observando.
Grandes empresas são construídas a partir de inúmeras pequenas decisões invisíveis.
Culturas organizacionais nascem da repetição de comportamentos cotidianos.
Relacionamentos são preservados por escolhas que raramente recebem reconhecimento.
Amizades profundas são construídas por presenças que não aparecem em fotografias.
Para Edson José Bandeira Braga Filho, uma parte significativa da vida acontece longe do palco.
É nesse espaço que uma pessoa pode escolher o caminho correto mesmo quando o mais fácil está disponível.
Pode possuir autoridade e ainda optar pelo respeito.
Pode estar magoada e decidir não humilhar.
Pode receber muito e ainda escolher repartir.
Nesse sentido, caráter pode ser compreendido como aquilo que alguém constrói quando não existe qualquer expectativa de aplauso.
Maturidade pode significar compreender mais e controlar menos
Durante determinada fase da vida, é comum associar maturidade à capacidade de controlar.
Controlar empresas.
Resultados.
Riscos.
Pessoas.
Planejamento.
Futuro.
Até a maneira como os outros percebem determinada pessoa.
Com o tempo, Edson Braga passou a enxergar essa ideia de maneira diferente.
Talvez maturidade esteja menos em controlar tudo e mais em compreender aquilo que pode e aquilo que não pode ser controlado.
Existem decisões que dependem diretamente de nós.
Outras jamais estarão completamente sob nosso comando.
Pessoas não são projetos.
Filhos não são extensões das vontades dos pais.
Empresas podem seguir caminhos diferentes daqueles inicialmente imaginados.
Algumas relações permanecem.
Outras cumprem determinado papel e terminam.
Algumas portas fecham.
Outras surgem inesperadamente.
Para Edson José Bandeira Braga Filho, compreender essa realidade pode tornar a caminhada mais consciente e reduzir a tentativa permanente de controlar aquilo que, por natureza, possui alguma imprevisibilidade.
Prosperidade também pode ser aquilo que passa através de nós
Com a experiência, outra pergunta começa a ganhar importância.
Não apenas quanto foi possível acumular, mas o que conseguiu passar através de nós.
Durante a vida, pessoas recebem inúmeros recursos.
Conhecimento.
Oportunidades.
Dinheiro.
Relacionamentos.
Experiências.
Confiança.
Amor.
Portas abertas por outras pessoas.
Para Edson Braga, talvez nada disso precise terminar exclusivamente naquele que recebeu.
O conhecimento pode ser transmitido.
Uma oportunidade pode gerar outras.
Uma pessoa que recebeu confiança pode desenvolver outra pessoa.
Uma porta aberta pode permitir que novas portas sejam abertas adiante.
Nesse sentido, prosperidade também pode estar naquilo que continua circulando.
Quantas pessoas cresceram porque cruzaram nosso caminho?
Quantas oportunidades conseguimos criar?
Quantas pessoas passaram a acreditar mais em suas capacidades?
Quantas sementes foram plantadas mesmo sabendo que talvez não estaremos presentes para desfrutar dos frutos?
Um dia todas as chaves serão entregues
Existe uma realidade que, para Edson José Bandeira Braga Filho, ajuda a colocar conquistas materiais em perspectiva.
Em algum momento, todas as chaves serão entregues.
A empresa continuará com outras pessoas.
Uma casa poderá abrigar novas histórias.
Outra pessoa ocupará uma cadeira que parecia exclusivamente nossa.
Novos nomes aparecerão nas portas.
Até aquilo que chamamos de patrimônio continuará seu caminho.
Essa percepção não precisa produzir tristeza.
Pode oferecer liberdade.
Ela lembra que propriedade é, em grande medida, temporária.
Somos administradores de determinados recursos por algum tempo.
E isso muda a pergunta.
Em vez de observar somente quanto foi acumulado, pode ser mais importante perguntar o que foi feito durante o período em que determinadas coisas estavam sob nossos cuidados.
Quem foi desenvolvido?
Que valores foram transmitidos?
Quais oportunidades foram criadas?
Que bem foi colocado em movimento?
O legado mais profundo talvez não precise carregar nosso nome
Legado costuma ser associado à lembrança.
Uma placa.
Uma empresa.
Um prédio.
Um sobrenome.
Uma fundação.
Uma história repetida pelas gerações futuras.
Mas Edson Braga considera que existe uma forma diferente de legado.
Algo que continua acontecendo mesmo depois que ninguém mais sabe exatamente onde começou.
Um ensinamento transmitido a alguém que, anos depois, ensinará a mesma coisa para outra pessoa.
Uma oportunidade que transforma uma família.
Uma maneira de liderar que um profissional leva para outra organização.
Um ato de generosidade que inspira outro.
Nesse processo, talvez o nome de quem iniciou aquilo desapareça.
Mas a consequência permanece.
Para Edson José Bandeira Braga Filho, o legado mais profundo não precisa necessariamente fazer nosso nome atravessar o tempo.
Pode simplesmente fazer algo bom continuar caminhando mesmo quando já não somos lembrados como sua origem.
A maior obra pode ser a pessoa que nos tornamos
Edson Braga afirma desejar continuar construindo.
Empresas.
Projetos.
Patrimônio.
Relacionamentos.
Sonhos.
Continuar acreditando em ideias que ainda não existem e trabalhar para que algumas delas possam se tornar realidade.
Mas, ao mesmo tempo, existe a necessidade de observar outra construção.
Uma obra sem balanço.
Sem fotografia.
Sem placa.
Sem reconhecimento público.
É o desenvolvimento da própria pessoa.
Talvez, no final, a pergunta mais importante não seja somente:
“O que conseguimos construir?”
Pode ser:
“O que aquilo que construímos fez conosco?”
A trajetória nos tornou mais humanos?
Mais conscientes?
Mais generosos?
Mais presentes?
Mais livres?
Para Edson José Bandeira Braga Filho, todas as construções externas serão, em algum momento, entregues a outras pessoas.
Existe, porém, uma obra que acompanha cada indivíduo durante toda a sua trajetória: aquilo que ele próprio se tornou.
Talvez seja justamente essa a maior construção.
Porque, no fim, a obra mais importante de uma vida talvez não seja apenas a empresa, o patrimônio ou o projeto que alguém conseguiu deixar no mundo.
Pode ser a pessoa que foi construída silenciosamente enquanto tudo isso estava sendo realizado.
