A relevância profissional no mercado jurídico não se sustenta mais apenas no currículo ou na experiência. A presença digital tornou-se um pilar fundamental, e a ausência nas redes sociais é cada vez mais interpretada como falta de relevância. Dados do anuário Análise Advocacia 2022 confirmam essa tendência: 84% dos escritórios de advocacia mais admirados do Brasil mantêm perfis ativos em redes sociais, um aumento de dois pontos percentuais em relação ao ano anterior. Além disso, a Thomson Reuters aponta que 65% dos escritórios utilizam essas plataformas para prospecção de clientes.

Em um mercado jurídico cada vez mais competitivo, a ausência estratégica no ambiente online tem custado espaço e prestígio a muitos advogados, inclusive aos renomados. Bruna Espairane, estrategista de posicionamento jurídico e fundadora da Espairane Marketing, é categórica:

“Hoje, não estar presente digitalmente não é mais sinal de discrição, é sinal de ausência. A percepção do público mudou. Quem não se comunica, simplesmente desaparece da memória das pessoas.”

 

Erros Comuns e a Resistência ao Digital no Meio Jurídico

 

Bruna Espairane aponta três falhas recorrentes entre os advogados no ambiente online: o uso excessivo de juridiquês, o foco exagerado em autopromoção e a falta de consistência. “Há quem tente parecer erudito demais. Outros caem na armadilha do ego. Mas o que mais enfraquece é a falta de frequência: aparecer uma vez por mês, sem estratégia, não sustenta autoridade alguma”, explica.

Muitos profissionais, especialmente os mais experientes, ainda resistem à presença digital por receio de banalizar a profissão. No entanto, Bruna Espairane argumenta que o erro está em enxergar o marketing como mera exposição. “O marketing jurídico não substitui a competência. Ele apenas a torna visível. E isso pode ser feito com ética, elegância e firmeza.”

 

Autoridade Digital: Valor Percebido Acima de Números de Seguidores

 

Com mais de 144 milhões de brasileiros conectados às redes sociais, segundo o relatório Digital 2024, a especialista defende que a advocacia precisa assumir seu papel social também nos meios digitais.

“Ao contrário do que muitos acreditam, a autoridade digital não se mede em curtidas. O que importa é o valor percebido. Um conteúdo bem construído, que educa e informa com clareza, atrai o cliente certo sem apelos nem promessas fáceis”, destaca Bruna. A chave, segundo ela, é informar sem vulgarizar e ensinar sem mercantilizar. “Mas só funciona com estratégia e coragem”, completa.

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