A reação de Israel ao cessar-fogo mediado com o Irã foi marcada por descontentamento, uma vez que o país teve conhecimento do acordo apenas nas etapas finais das negociações, sem qualquer consulta ou participação formal nas discussões. Essa informação foi confirmada por mediadores e fontes ligadas ao assunto. O governo israelense recebeu a confirmação de que o entendimento havia sido fechado logo antes do anúncio oficial da trégua de duas semanas, que ocorreu poucas horas antes do prazo estipulado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O diálogo com Washington se restringiu a uma ligação telefônica entre Trump e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, realizada pouco antes do anúncio do cessar-fogo, conforme declarou um funcionário da Casa Branca. Durante essa conversa, Netanyahu concordou em aceitar os termos do acordo. O gabinete do primeiro-ministro não se manifestou quando questionado sobre o assunto.

Além da condução das negociações, membros do governo israelense expressaram desconforto com alguns termos do acordo. Um dos principais pontos de discórdia foi a possível inclusão do Líbano no entendimento, algo que Israel contesta veementemente, tratando o país e o Irã como frentes separadas no conflito.

Nesta quarta-feira pela manhã, Netanyahu reiterou que o cessar-fogo não inclui o território libanês, contradizendo uma afirmação anterior feita por representantes do Paquistão, que atuam como mediadores das conversações.

Apesar das críticas emitidas por autoridades israelenses, as Forças Armadas de Israel anunciaram a suspensão das operações militares contra o Irã. No entanto, ressaltaram que os ataques direcionados ao Hezbollah, localizado no sul do Líbano, continuam em andamento.

O Irã reverteu a autorização para a passagem de petroleiros pelo Estreito de Ormuz menos de 24 horas após a declaração de um cessar-fogo na guerra iniciada por Estados Unidos e Israel no final de fevereiro. A reabertura do tráfego na região é vital para o comércio global de petróleo e gás — cerca de 20% desse tráfego mundial ocorre ali — mas Teerã justificou sua decisão em resposta à nova onda de bombardeios israelenses no Líbano.

Segundo informações da agência Fars, duas embarcações conseguiram transitar pelo Estreito nesta quarta-feira; no entanto, a área foi novamente bloqueada após intensos bombardeios israelenses contra o Líbano. Embora oficialmente direcionados ao Hezbollah — grupo aliado ao Irã — os ataques atingiram áreas densamente povoadas onde esta organização não está presente. Os números divulgados pelo Ministério da Saúde indicam 89 mortos e 772 feridos.

Relatos locais mencionam mais de 100 bombardeios realizados em um período de apenas 10 minutos e alguns descrevem um cenário semelhante à devastação provocada pela Guerra Civil Libanesa (1975-1990). Desde o início de março, Israel tem realizado bombardeios constantes no Líbano e avançado em direção à ocupação de partes do sul do país, resultando em mais de 1.500 mortos e um milhão de deslocados internos.