Em meio ao aumento das tensões militares com o Japão, a China decidiu enviar uma frota de navios de guerra para o Pacífico ocidental. Comandada pelo contratorpedeiro Baotou, essa esquadra atravessou no último sábado (19) as ilhas Amami Oshima e Yokoate, seguindo em direção ao oceano aberto, conforme informado pelo comando militar responsável por essa área.
Esta é a primeira vez que Pequim torna pública a passagem de suas embarcações pelo canal de Yokoate, uma rota mais próxima do Japão em comparação à trilha tradicional utilizada pela Marinha chinesa, que passa pelo estreito de Miyako, situado mais ao sul.
A decisão de alterar a rota indica que a China está explorando novas alternativas para contornar o que especialistas militares denominam de “primeira cadeia de ilhas”, um conjunto de arquipélagos que vai do Japão até as Filipinas, incluindo Taiwan. Essa cadeia serve como uma barreira natural ao avanço da influência chinesa no Pacífico.
Os exercícios realizados pela China coincidem com o início do Balikatan, considerado o maior conjunto de manobras militares conjuntas entre Estados Unidos e Filipinas. Este evento reúne mais de 17 mil soldados provenientes de sete nações e marca a primeira participação de tropas japonesas em atividades de combate fora do território japonês.
Desde a Segunda Guerra Mundial, esta é a primeira vez que militares japoneses com capacidade para combate estão presentes nas Filipinas. Essa movimentação resulta de um acordo estabelecido entre Tóquio e Manila em setembro passado, permitindo acesso militar recíproco.
Cerca de 1.400 militares foram enviados pelo Japão, que também realizará, pela primeira vez fora do seu território, o lançamento de um míssil antinavio durante os exercícios.
A crise nas relações entre China e Japão se intensificou desde novembro do ano anterior, quando a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, declarou no Parlamento que Tóquio estaria disposto a mobilizar suas Forças Armadas caso houvesse uma tentativa da China de tomar Taiwan à força.
Após essa declaração, que não foi retirada mesmo após as reações adversas vindas de Pequim, a China adotou algumas medidas: desaconselhou seus cidadãos a viajar ao Japão, suspendeu as importações de frutos do mar japoneses e impediu a exportação de produtos com potencial uso militar para o país nipônico.
Importância da situação: esse contexto evidencia o aumento das tensões entre China e Japão. Ambos os países têm realizado movimentos militares cada vez mais ousados.
Caso esse ciclo contínuo de ações e reações não seja interrompido, há um risco crescente de um incidente marítimo que possa forçar os Estados Unidos a escolher entre apoiar seu aliado japonês ou tentar manter uma postura neutra para evitar um confronto direto com Pequim.
