Na quarta-feira (23), o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, discursou na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) e alertou que a Rússia busca expandir sua ocupação em território ucraniano. Ele enfatizou a necessidade de manter a pressão econômica sobre Moscou, afirmando que os objetivos do governo de Vladimir Putin vão além da região de Donetsk.
Zelensky revelou que, entre janeiro e agosto deste ano, as forças russas registraram um total de 248.964 baixas, incluindo mortos e feridos. O presidente destacou que a Rússia conseguiu ocupar algo em torno de mil quilômetros quadrados da Ucrânia nesse período, embora parte desses territórios já tenha sido reconquistada por Kiev.
Durante sua fala, o presidente ucraniano mencionou que Putin continua alegando precisar de mais alguns meses para dominar completamente a região de Donetsk. Zelensky observou que essa mesma previsão foi feita repetidamente desde o início do conflito e expressou sua crença de que o governo russo possui interesses em outras áreas do país.
Ele citou as cidades de Kharkiv e Dnipro como possíveis alvos dos planos russos e ressaltou que a ameaça provocada pelo conflito se estende além das fronteiras da Ucrânia. Segundo ele, países como Moldávia, Polônia, as nações bálticas e estados do sul do Cáucaso e da Ásia Central também poderiam ser afetados pela expansão das ações militares russas.
O presidente ucraniano reiterou a importância de outros países adotarem medidas para restringir as receitas da Rússia, limitando sua capacidade de financiar operações bélicas. “Para deter Putin, é necessário interromper as finanças e a produção russa”, afirmou Zelensky em seu discurso.
Além disso, ele denunciou os frequentes ataques aéreos russos direcionados a cidades e infraestrutura ucraniana. Poucas horas antes de seu discurso na Assembleia Geral, Kiev sofreu uma nova ofensiva com drones. Informações indicam que dois civis morreram e 23 ficaram feridos devido ao ataque.
No encontro da ONU, Zelensky também anunciou a expansão do programa Freya, uma iniciativa internacional voltada para defesa contra mísseis. O presidente informou que dez países estão envolvidos no projeto: Ucrânia, Noruega, Suécia, Dinamarca, Alemanha, França, Itália, Reino Unido, Espanha e Holanda. A Polônia recebeu um convite para se juntar ao grupo.
De acordo com Zelensky, o objetivo é criar um sistema de interceptação de mísseis com custo reduzido e potencial para expansão em comparação aos modelos existentes. A Ucrânia tem buscado fortalecer sua defesa aérea em resposta aos ataques contínuos da Rússia.
A participação de Zelensky na Assembleia Geral ocorreu um dia após uma reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Nova York. Após esse encontro, o líder ucraniano comentou que ambos os países desejam encerrar o conflito antes do inverno e discutiram estratégias para diminuir os ataques enquanto criavam condições favoráveis para avanços diplomáticos.
Marginalmente à Assembleia Geral, Zelensky também manifestou a disposição da Ucrânia para discutir uma trégua no Mar Negro com o intuito de garantir segurança na navegação e no transporte de alimentos. Ele ressaltou que essa proposta dependeria de uma resposta por parte da Rússia e envolvia sugestões apresentadas por Egito, Índia e Turquia.
A guerra entre Rússia e Ucrânia teve início em fevereiro de 2022 com uma invasão em larga escala por parte de Moscou no território ucraniano. As negociações para um possível acordo de paz continuam sendo um dos principais tópicos nas reuniões diplomáticas realizadas durante a Assembleia Geral da ONU em Nova York.






