No mês de março de 2026, Porto Alegre registrou um aumento de 1,65% no valor da cesta básica em comparação a fevereiro. O custo total ficou em R$ 799,79. Quando analisado em relação a março de 2025, o preço subiu 1,03%, e nos três primeiros meses de 2026, a alta acumulada foi de 1,99%. Esses dados foram coletados por meio do monitoramento realizado pelo Dieese e pela Conab.

Entre fevereiro e março de 2026, oito dos treze produtos que formam a cesta básica na capital gaúcha tiveram elevações nos preços médios: batata (14,24%), tomate (9,63%), leite integral (5,91%), banana (4,43%), feijão preto (4,31%), manteiga (1,01%), arroz agulhinha (0,73%) e pão francês (0,26%). Em contrapartida, cinco itens apresentaram redução nos preços: açúcar refinado (-2,85%), óleo de soja (-2,15%), café em pó (-1,98%), farinha de trigo (-0,97%) e carne bovina de primeira (-0,49%).

Analisando o período dos últimos doze meses, seis dos treze produtos mostraram aumentos: tomate (8,69%), café em pó (6,82%), pão francês (4,45%), banana (4,02%), carne bovina de primeira (3,49%) e batata (3,36%). Por outro lado, os alimentos que tiveram diminuição nos preços foram: arroz agulhinha (-30,88%), feijão preto (-22,74%), leite integral (-8,16%), açúcar refinado (-4,94%), óleo de soja (-4,92%), manteiga (-2,79%) e farinha de trigo (-1,69%).

No acumulado do ano entre dezembro de 2025 e março de 2026, cinco produtos apresentaram alta: tomate (37,97%), feijão preto (11,09%), leite integral (4,09%), pão francês (1,71%) e carne bovina de primeira (0,21%). Os itens que sofreram queda foram: óleo de soja (-11,66%), batata (-8,89%), café em pó (-5,60%), arroz agulhinha (-4,61%), açúcar refinado (-4,11%), banana (-2,66%), farinha de trigo (-1,45%) e manteiga (-1,20%).

Em março de 2026, o trabalhador que recebe o salário mínimo fixado em R$ 1.621 precisou dedicar 108 horas e 33 minutos para obter a cesta básica. No mês anterior esse tempo foi menor: 106 horas e 47 minutos. Em março de 2025 o cenário era ainda mais desafiador; com o salário mínimo a R$ 1.518 os trabalhadores tinham que trabalhar por 114 horas e 44 minutos para adquirir os mesmos alimentos.

Considerando o salário mínimo líquido após a dedução de 7% da Previdência Social para março de 2026,, esse trabalhador comprometeu aproximadamente 53% da sua renda para comprar a cesta básica. Em fevereiro deste ano esse percentual estava em torno de 52%, enquanto em março do ano passado chegou a ser mais alto: 56%.

Brasil

Os valores para adquirir os itens alimentícios da cesta básica aumentaram nas vinte e sete capitais brasileiras. São Paulo continua sendo a cidade com o maior custo registrado até o momento: R$ 883,94. Por outro lado Aracaju apresenta a cesta mais acessível com uma média de R$ 598.

Os principais produtos que impactaram esses custos foram feijão , batata , tomate , carne bovina e leite , todos com alta nos preços. Os três primeiros sofreram influência significativa das chuvas nas áreas produtivas. Em contraste com isso,o açúcar teve redução no preço médio em dezenove cidades devido ao excesso na oferta.

A Pesquisa Nacional da Cesta Básica revelou que as cidades onde os aumentos foram mais significativos incluem Manaus (7.42), Salvador (7.15), Recife (6.97), Maceió (6.76), Belo Horizonte (6.44), Aracaju(6.32), Natal(5.99), Cuiabá(5.62), João Pessoa(5.53) e Fortaleza(5.04). Além da capital paulista destacam-se também Rio de Janeiro(R$867.97), Cuiabá(R$838.40), Florianópolis(R$824.35) e Campo Grande(R$805.93) enquanto as demais capitais têm valores abaixo dos R$800.

Com o salário mínimo atualmente em R$1.621 , um trabalhador nessas cidades precisa gastar cerca de109 horas para arcar com os custos da cesta básica . Embora esse número seja elevado houve uma diminuição quando comparado à renda do ano anterior.

“Ao confrontar o custo da cesta básica com o salário mínimo líquido — após deduzir os 7% destinados à Previdência Social — observa-se que um trabalhador recebendo o piso nacional destinou cerca de48% do seu rendimento médio nas vinte sete capitais pesquisadas em março de2026para adquirir os itens alimentares essenciais; já em fevereiro este percentual era46%. Quando olhamos para março do ano passado nas dezessete capitais analisadas esse número ficou em52%."

No mês atual,o tempo médio necessário para comprar a cesta foi estimado em97 horas e55 minutos ,em comparação com93horas53minutos no mês anterior . Se considerarmos março d ano passado ,com base nas dezessete capitais analisadas,a jornada média foi avaliada em106horas24 minutos.

A pesquisa também permite observar um aumento desde o ano anterior ,sendo que houve elevações em treze cidades enquanto quatro apresentaram quedas nos últimos doze meses com destaque para as altas em Aracaju(5.09), Salvador(4.51) e Recife(4.38). As principais reduções foram registradas em Brasília(-4.63) e Florianópolis(-0.91). A comparação anual é restrita às dezessete capitais pois o Dieese não coleta dados mensais nas cidades como Boa Vista,Cuiabá,Maceió,Manaus ,Palmas ,Porto Velho,Rio Branco,São Luiz entre outras.

Regime de chuvas

A pesquisa mostra que o preço do feijão aumentou em todas as localidades. O feijão preto coletado na Região Sul além dos municípios do Rio Janeiro e Vitória teve alta variando entre1.68%em Curitiba até7 .17%em Florianópolis . Para o feijão carioca disponível nas outras capitais os aumentos oscilaram entre1 .86%em Macapá até21 .48%em Belém . A valorização do produto se deve à limitação na oferta provocada por dificuldades na colheita,redução na área plantada na primeira safra além das expectativas diminuídas na produção da segunda safra conforme evidenciado pela pesquisa.

“Quando observamos uma elevação nos preços geralmente se presume que os produtores estão obtendo lucros maiores; no entanto,nesta situação há menos produtores disponíveis no mercado podendo vender por preços elevados mas muitos deles enfrentaram perdas significativas neste ano; por exemplo quem cultivou60sacas acabou colhendo apenas30ou40sacas devido ao clima adverso no Paraná e Bahia além disso,a área plantada está reduzida”, explicou Marcelo Lüders,presidente do Instituto Brasileiro do Feijão(Ibrafe).

Lüders também destacou que há um atraso considerável na produção em outras regiões como Mato Grosso do Sul onde as chuvas excessivas resultaram numa janela menor entre culturas obrigando uma substituição pelo tipo específico destinado principalmente ao mercado indiano.

“Os dados atuais não refletem nossa realidade real pois temos tido escassez no carioca um feijão sem garantia mínima pelo governo visto que este preço existe apenas formalmente sem benefícios diretos ao produtor uma vez que não há mercado externo disponível". Essas condições resultaram numa disparidade significativa entre as variedades carioca e preta,das quais esta última é mais procurada pelos grandes mercados.

Atualmente,o grão carioca pode ser vendido aR$350 por saca tendo previsão possível queda nos meses seguintes especialmente durante agosto,setembro ou outubro quando ocorre a colheita irrigada . O feijão preto possui valor superior girando entreR$200eR$210por saca devido ao estoque considerável das duas colheitas anteriores mas essa disponibilidade tenderá a ser afetada pela baixa produção durante a segunda safra causada pelas fortes chuvas no Paraná.O prognóstico aponta para uma inversão nos preços onde o feijão preto poderá se tornar mais caro que o carioca até2026. 

“Essa situação é extremamente prejudicial aos produtores.A exportação caiu bastante durante2025e isso é cíclico.O incentivo para cultivar feijão carioca permanece elevado mas representa riscos potenciais pois poderá desvalorizar ainda mais os preços", complementa o analista.  

A Conab estima uma produção superior a3 milhõesde toneladas registrando um crescimento estimado em0 .5%comparado ao ciclo anterior2024/2025. O efeito do aumento nos custos relacionados aos fertilizantes assim como combustíveis ainda não foi percebido pelo setor agrário aumentando assim as incertezas relacionadas ao futuro.O setor aguarda aumento global nos custos alimentares.

Salário mínimo 

A análise realizada pelo Dieese também revela qual seria idealmente o valor do salário mínimo considerando os custos básicos necessários conforme previsto pela Constituição para garantir subsistência digna ao trabalhador juntamente à sua família incluindo alimentação,moradia,saneamento saúde educação,higiene transpote lazer previdência social.Em março desse ano,o valor necessário para uma família composta por quatro membros seriaR$7 .425 ,99equivalenteauma quantia4 .58vezes maiorqueo salário mínimo vigente.Segundo dados anteriores,febreiro indicava um valor exigidodeR$7 .164 ,94correspondenteauma proporção4 .42vezes maiorqueo piso.Mesmo comparando commarço do ano passado,o montante necessário seriaR$7 .398 ,94 ou equivalenteauma quantia4 .87vezes maiorqueo salário vigente àquela época,deR$1 .518. 

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