Poucas horas antes do término do prazo que ele mesmo estabeleceu para um cessar-fogo na contenda com o Irã, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a prorrogação da trégua por tempo indeterminado. Essa decisão visa permitir que o governo iraniano apresente uma proposta conjunta. Esse desfecho, ao menos temporário, representa um novo recuo de Trump em um conflito onde se autodenomina vitorioso, sendo este o sétimo até o momento.

Por outro lado, o Irã declarou nesta quarta-feira (22) que não acatará mais a trégua no Oriente Médio e interromperá as tratativas de paz, a menos que os Estados Unidos retirem o bloqueio naval em vigor na entrada do Estreito de Ormuz.

O ultimato foi emitido por Mohammad Bagher Ghalibaf, chefe das negociações com os EUA e presidente do Parlamento iraniano. Em sua rede social, Ghalibaf ressaltou que um cessar-fogo total só faria sentido se não fosse “violado” pelo bloqueio imposto pelos americanos aos portos iranianos.

Há dez dias, a administração Trump havia informado que embarcações de guerra dos EUA iniciariam a obstrução da passagem de navios com vínculos ao Irã na entrada do Estreito de Ormuz. Essa ação foi uma retaliação à resistência iraniana em reabrir a navegação na região.

<pNa semana anterior, ao anunciar um acordo de cessar-fogo com o Irã, Trump destacou que o bloqueio continuaria até que um entendimento para pôr fim ao conflito total fosse alcançado, algo em discussão entre as partes.

O presidente iraniano Masoud Pesezhkian afirmou hoje que tal bloqueio pode inviabilizar as futuras negociações. Embora as conversas estejam agendadas para este fim de semana, o Irã ainda não confirmou a presença de seus representantes.

A Guarda Revolucionária do Irã afirmou também nesta quarta-feira (22) ter apreendido duas embarcações comerciais no Estreito de Ormuz e redirecionado-as para a costa iraniana.

Os navios em questão são identificados como MSC Francesca e Epaminondas, navegando sob bandeiras do Panamá e da Libéria, conforme comunicado da unidade militar iraniana divulgado pela agência estatal Tasnim.

A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, informou que Trump não definiu um novo prazo específico para a trégua. Ela ainda comentou sobre a apreensão dos dois navios pelo Irã, afirmando que isso não constitui uma violação da trégua: “Não eram embarcações americanas ou israelenses. Eram barcos internacionais. Os iranianos estão se comportando como piratas. A marinha iraniana está praticamente extinta. O Irã não controla o estreito”.

Segundo informações do Comando Central das Forças Armadas dos EUA, suas tropas interceptaram 29 embarcações iranianas desde o início do bloqueio no Estreito de Ormuz, uma ação que tem causado sérios danos à economia do país. O presidente Masoud Pezeshkian declarou que as ameaças dos EUA e o bloqueio naval são os principais entraves para uma negociação pacífica definitiva.

Líbano e Israel

Uma nova rodada de conversações entre os embaixadores do Líbano e Israel está marcada para esta quinta-feira (23) em Washington. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, participará do encontro, agendado um dia após um ataque israelense ter resultado na morte da jornalista libanesa Amal Khalil no sul do Líbano.

A mesma ação também feriu uma fotógrafa que acompanhava Khalil, conforme reportado por um alto oficial militar libanês e pelo jornal Al-Akhbar, empregador da jornalista falecida.

O presidente libanês Joseph Aoun declarou que a embaixadora libanesa em Washington, Nada Moawad, solicitará a extensão da trégua e a suspensão das demolições realizadas por Israel em vilarejos no sul do país.

Israel e Líbano haviam concordado com um cessar-fogo inicial de dez dias no dia 16 de abril, conforme anúncio feito pelo presidente Donald Trump.

Um funcionário libanês revelou que Beirute busca estender a trégua como condição prévia para aprofundar as negociações além do nível atual com os embaixadores. Isso incluiria demandas como: retirada israelense; devolução de libaneses detidos por Israel; e definição das fronteiras terrestres entre os países.

No discurso proferido recentemente, o ministro das Relações Exteriores israelense Gideon Saar afirmou que seu país tomou uma “decisão histórica” ao optar por negociar diretamente com o Líbano após mais de quatro décadas. Entretanto, ele rotulou o Líbano como um “Estado falido”.

“Vamos unir esforços contra o Estado terrorista construído pelo Hezbollah em seu território”, enfatizou Saar ao se dirigir ao povo libanês.

Desde a fundação de Israel em 1948, Líbano e Israel permanecem oficialmente em estado de guerra.