A procuradoria-geral da Flórida está conduzindo uma investigação criminal envolvendo o ChatGPT e sua empresa-mãe, OpenAI. O início da apuração foi motivado pela análise de interações entre o chatbot e um atirador que, no ano passado, tirou a vida de duas pessoas na Universidade Estadual da Flórida.
O procurador-geral do estado, James Uthmeier, declarou que as comunicações sugerem que o ChatGPT teria “prestado conselhos ao atirador antes de ele perpetrar atos tão atrozes”. Uthmeier mencionou que em algumas mensagens, o criminoso indagava sobre a eficácia de uma arma em distâncias curtas e quais tipos de munição seriam adequados para seu uso.
Em uma entrevista realizada em Tampa, Uthmeier afirmou: “Meus promotores analisaram esses diálogos e concluíram que, se a interação fosse com uma pessoa do outro lado da tela, estaríamos movendo acusações de homicídio”.
O ataque ocorreu em abril de 2025, nas proximidades do centro estudantil da instituição localizada em Tallahassee. O autor do crime, Phoenix Ikner, então com 20 anos e estudante da universidade, deixou duas vítimas fatais e sete feridos, incluindo ele mesmo. Atualmente, Ikner enfrenta várias acusações relacionadas a homicídio e tentativa de homicídio enquanto aguarda seu julgamento na prisão.
A equipe de promotores coletou como evidência mensagens trocadas entre Ikner e o ChatGPT. Na data do ataque, ele questionou o chatbot sobre como o público reagiria a um tiroteio na universidade e qual seria o horário mais movimentado no centro estudantil, conforme registros obtidos pelo New York Times.
No dia 9 deste mês, Uthmeier havia anunciado oficialmente o início da investigação contra a OpenAI e o ChatGPT. Em novas declarações feitas ontem, ele confirmou que a investigação civil iniciada anteriormente seguirá junto à apuração criminal.
A OpenAI se manifestou por meio de um comunicado afirmando que colaborará com as investigações. “Criamos o ChatGPT para entender as intenções dos usuários e responder de maneira segura e adequada. Continuamos trabalhando no aprimoramento dessa tecnologia”, destacou a empresa. Após novo contato realizado ontem, a OpenAI não forneceu comentários adicionais.
Uthmeier reconheceu que a OpenAI é uma entidade corporativa – não um indivíduo – e enfatizou que explorar potenciais responsabilidades penais nesse contexto é um campo jurídico ainda não totalmente desbravado.
Apesar disso, ele reafirmou seu compromisso em investigar se “indivíduos podem ter contribuído para a concepção, gestão e operação” do chatbot ao ponto de justificar responsabilidade criminal. A procuradoria planeja convocar a empresa para apresentar documentos relevantes, incluindo diretrizes internas e materiais utilizados no treinamento sobre como lidar com usuários que possam representar risco para si mesmos ou para outros.
Uthmeier foi designado procurador-geral no ano anterior pelo governador Ron DeSantis. Este último é um republicano conservador que tem promovido iniciativas para restringir os poderes da inteligência artificial – uma postura que contrasta com a visão mais favorável à tecnologia adotada pela administração federal. O governador solicitou ao legislativo estadual que estabeleça normas para o uso de IA em uma sessão especial programada para a próxima semana. As informações foram extraídas do jornal O Estado de S. Paulo.
