O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reiterou sua crítica à guerra no Irã, declarando que a alegação de que o país do Oriente Médio possui armas nucleares é falsa. Ele afirmou que os Estados Unidos iniciaram um conflito desnecessário com base nesse argumento, enquanto Washington alega ter atacado no dia 28 de fevereiro para impedir Teerã de desenvolver uma bomba.
“Os Estados Unidos começaram uma guerra desnecessária com o Irã, alegando que o país possuía armas nucleares, o que é mentira. Em 2010, estive no Irã para negociar um acordo, que posteriormente não foi aceito pelos EUA e pela União Europeia”, afirmou Lula em entrevista à TV Cidade do Ceará.
O ex-presidente se referia a um acordo assinado entre Brasil, Turquia e Irã, que previa o enriquecimento de urânio iraniano em outro país, como medida para reduzir a ameaça de armamentos nucleares, que exigem um nível mais alto de enriquecimento. No entanto, os EUA não se convenceram com essa proposta e continuaram pressionando por sanções no Conselho de Segurança da ONU, chegando a um acordo separado implementado em 2016, posteriormente abandonado por Trump durante seu primeiro mandato.
Atualmente, a Agência Internacional de Energia Atômica relata a existência de 440 kg de urânio enriquecido a 60% no Irã, quantidade suficiente para cerca de 15 bombas de menor potência. No entanto, transformar esse material em armamento é um processo distinto e posterior ao enriquecimento.
Lula também fez menção aos casos de Saddam Hussein, no Iraque, e Muammar Gaddafi, na Líbia, cujas supostas armas químicas e nucleares nunca foram encontradas, sendo utilizadas como pretexto para ações militares. O governo brasileiro criticou os ataques iniciais contra o Irã, manifestando preocupação com a situação e defendendo o processo de negociação como caminho para a paz na região.
“O Brasil condena e expressa grave preocupação com os ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra o Irã. Os ataques ocorreram durante um processo de negociação entre as partes, que é a única forma viável de alcançar a paz, como tradicionalmente defendido pelo Brasil na região”, declara o Itamaraty em nota. O país apela para que todas as partes envolvidas respeitem o Direito Internacional e ajam com contenção para evitar escaladas de hostilidade e proteger a população civil e infraestruturas. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.
