Os ataques recentes de Israel e dos Estados Unidos no Irã resultaram na eliminação de líderes de alto escalão e atingiram alvos-chave em todo o país. Após um mês de confrontos, a vitória estratégica mais relevante parece ter sido obtida por Teerã, que reforçou seu controle sobre o tráfego no Estreito de Ormuz. Esta via é vital, pois cerca de 20% do petróleo e gás mundialmente comercializados, além de outras mercadorias, passam por lá.
A pressão militar dos EUA tem contribuído para a escalada, com o presidente Donald Trump ameaçando atacar a infraestrutura energética iraniana e a Ilha de Kharg, principal terminal petrolífero do país, caso o estreito não seja reaberto.
Nesta segunda-feira, Trump mencionou que há discussões em andamento com um “novo regime” em Teerã, porém alertou que os EUA estão dispostos a destruir usinas elétricas, poços de petróleo e até mesmo tomar o controle do terminal se não houver progresso nas negociações.
Dados indicam que desde o início do conflito, apenas seis embarcações têm atravessado diariamente o Estreito de Ormuz, comparado a uma média de 135 embarcações por dia anteriormente. Isso tem sido impactado por interferências eletrônicas na região e navios que desligaram seus transponders.
Apesar disso, Teerã tem conseguido controlar melhor o estreito, com quase todos os navios utilizando rotas aprovadas pelo Irã. Algumas nações, como Malásia e Tailândia, relataram acordos para liberar petroleiros retidos na região.
Anoop Singh, chefe global de pesquisa de transporte marítimo da Oil Brokerage Ltd., afirma que mesmo com um cessar-fogo, a retomada dos fluxos no Estreito de Ormuz não será rápida. A adaptação dos traders, refinarias e agentes de suprimentos tem sido necessária.
O Irã planeja aprovar uma lei que cobrará pedágio dos navios, exigindo informações detalhadas e o pagamento de taxas. Este sistema já vem sendo praticado, com tarifas chegando a até US$ 2 milhões por viagem. Essas medidas estão sendo adotadas diante do fechamento do estreito para petroleiros. (Com informações do jornal O Globo)
