A transformação digital nas empresas deixou de ser uma tendência e tornou-se uma condição essencial para a sobrevivência corporativa. No entanto, como alerta o executivo Ansano Baccelli Junior, especialista em consultoria e tecnologia, essa jornada vai muito além da simples adoção de novas ferramentas. Ela demanda uma reestruturação profunda na forma como as organizações pensam, operam e se relacionam com o mercado.

Com mais de três décadas de experiência liderando projetos de reestruturação e inovação, Ansano Baccelli Junior observa que muitos processos de transformação falham por falta de alinhamento entre tecnologia e estratégia. “A transformação digital não é apenas sobre sistemas, mas sobre pessoas e processos. Quando a tecnologia é aplicada sem compreender o negócio, o investimento se torna custoso e pouco efetivo”, afirma.

Para o executivo, o primeiro passo rumo à transformação digital bem-sucedida é desenvolver uma cultura organizacional orientada à inovação. “As empresas precisam encarar a tecnologia como um meio para alcançar objetivos maiores — eficiência, agilidade e competitividade — e não como um fim em si mesma”, explica Baccelli Junior.

Outro ponto fundamental, segundo o especialista, é a integração entre as áreas de negócio e tecnologia. Historicamente, muitos departamentos de TI foram isolados das decisões estratégicas, o que limita o potencial de inovação. “É preciso que o profissional de tecnologia conheça os processos da empresa e fale a linguagem do negócio. Só assim ele conseguirá propor soluções que realmente gerem valor”, reforça Ansano Baccelli Junior.

Além disso, ele destaca que a transformação digital exige a separação entre as rotinas operacionais e as iniciativas de inovação. “Mais de 80% do tempo das equipes ainda é consumido com atividades reativas, como suporte e manutenção. As empresas precisam ter times dedicados exclusivamente à inovação, capazes de pensar o futuro e antecipar demandas”, explica.

Por fim, Ansano Baccelli Junior enfatiza que o sucesso da transformação digital depende da liderança. “Cabe à alta gestão garantir que a tecnologia seja tratada como um ativo estratégico. É ela que impulsiona a mudança, mas são as pessoas que a tornam possível”, conclui.