Estratégia de atualizar e reposicionar o portfólio ganha força no setor de comunicação óptica, combinando menor investimento, prazos mais curtos e maior competitividade.

O setor de telecomunicações vive um momento em que a palavra-chave já não é apenas “inovação”, mas “reinvenção”. Em vez de concentrar esforços exclusivamente na criação de produtos totalmente novos, muitas fabricantes têm voltado sua atenção para a atualização e modernização de soluções já consolidadas. A estratégia, que ganha corpo em diferentes segmentos da infraestrutura de redes, tem como objetivo adaptar portfólios a novos mercados, comportamentos de consumo e oportunidades de negócio, mantendo controle de risco e de investimento.

A modernização de produtos deixou de ser um diferencial para se tornar praticamente um requisito de competitividade. De acordo com o COO da Fibracem, indústria especializada no mercado de comunicação óptica no Brasil, Eryck El-Jaick, não basta ter um portfólio tecnicamente sólido; é preciso garantir que esses produtos se mantenham aderentes às novas exigências do mercado, tanto em desempenho quanto em usabilidade e aparência.

No entanto, segundo o executivo, nem todas as fabricantes estão igualmente preparadas para essa tarefa. “Muitas fabricantes terceirizam etapas cruciais de seu processo produtivo, como desenvolvimento, engenharia ou ferramentaria. Essa estrutura fragmentada costuma dificultar atualizações, criar dependência de prazos de terceiros e limitar a capacidade de ajustes rápidos”, comenta.

Para se ter uma ideia, nos últimos dois anos e meio, 27% dos produtos trabalhados nas unidades fabris da Fibracem, por exemplo, correspondem a atualizações de itens já lançados. Atualmente, a fabricante é reconhecida por ser totalmente verticalizada, com engenharia e ferramentaria próprias, o que permite uma atuação mais ágil na modernização.

“Não se trata apenas de melhorar algo que já existe, mas de adaptá-lo estrategicamente, com olhar atento a segmentos em crescimento, demandas específicas de clientes e tendências tecnológicas”, acrescenta.

Atualização contínua: experiência do cliente e novos negócios

A atualização permanente de produtos tem impacto direto na experiência dos clientes. Para o executivo, ao modernizar soluções consolidadas, fabricantes podem tornar o uso mais intuitivo, facilitar instalação e manutenção, ampliar a compatibilidade com novas tecnologias e criar produtos mais adequados ao dia a dia de operadores, provedores e integradores.

Mas, segundo ele, os efeitos vão além da satisfação na ponta. A atualização contínua é também um mecanismo de transformação de oportunidades em aumento de receita e lucro. “Quando uma empresa ajusta um produto para atender um nicho específico ou uma demanda particular, muitas vezes está abrindo um novo canal comercial, capaz de gerar negócios recorrentes”, finaliza Eryck El-Jaick.

Marcos dos Santos
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