No dia 14 de setembro, o presidente chinês, Xi Jinping, fez um alerta ao seu colega norte-americano, Donald Trump, durante uma recepção em Pequim, afirmando que “um conflito pode ocorrer se a situação em Taiwan não for gerida com cautela”.

Na reunião que ocorreu no Grande Salão do Povo, Xi destacou que “Taiwan representa a questão mais crucial nas relações entre os Estados Unidos e a China” e enfatizou que “se a questão for tratada de forma apropriada, as relações entre as duas nações poderão permanecer estáveis”.

Por outro lado, ele alertou que a falta de cuidado na abordagem da questão poderá levar a um “conflito entre Pequim e Washington, o que tornaria a relação sino-americana extremamente arriscada”, conforme reportado pela agência estatal Xinhua.

Apesar das tensões, Xi expressou seu desejo de que 2026 seja “o ano de mudança” nas interações entre os países, ressaltando que “as semelhanças são maiores do que as diferenças” existentes entre eles.

Além da situação em Taiwan, os líderes também abordaram temas como “os conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia e as questões relacionadas à península coreana”, conforme declarado pelo Ministério das Relações Exteriores da China.

A comunicação da Casa Branca não fez menção à situação de Taiwan e destacou apenas o “diálogo produtivo” entre os líderes sobre economia e outros assuntos relevantes da política global.

No entanto, em entrevista à NBC News, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, reafirmou que a posição dos EUA em relação a Taiwan continua “invariável” mesmo após as declarações de Xi para Trump.

“Nossa política sobre o caso [Taiwan] não mudou”, afirmou Rubio.

A Casa Branca optou por não comentar diretamente o aviso feito por Xi e se concentrou em outras questões discutidas na reunião, como o conflito em andamento no Irã.

“Ambos os lados concordaram sobre a importância de manter o Estreito de Ormuz aberto para assegurar o fluxo contínuo de energia”, acrescentou.

Xi também reiterou a oposição da China à militarização do Estreito e à imposição de taxas sobre seu uso. Ele expressou interesse em adquirir mais petróleo dos Estados Unidos para diminuir a dependência chinesa do estreito no futuro. Além disso, Pequim compartilha a visão de que “o Irã nunca deve desenvolver armas nucleares”, informou Washington.

Ainda segundo a Casa Branca, Trump e Xi discutiram a importância de fortalecer a cooperação econômica entre suas nações. Isso inclui ampliar o acesso ao mercado chinês para empresas americanas e aumentar os investimentos chineses nas indústrias dos EUA.

Vários líderes das principais empresas americanas estiveram presentes durante parte da reunião, incluindo Elon Musk, bilionário e ex-conselheiro de Trump.

Trump descreveu as conversas com Xi como “extremamente positivas e construtivas” e revelou que convidou o presidente chinês para visitar Washington em setembro.

A comitiva do republicano deve permanecer na China até o dia 15 de setembro.