A integração entre árvores e criação de animais tem ganhado espaço na pecuária do Rio Grande do Sul. O sistema silvipastoril, que combina pastagem e floresta na mesma área, vem sendo adotado por produtores da região Central do Estado como alternativa para ampliar a produtividade, melhorar o bem-estar animal e reduzir impactos ambientais.

Em São Francisco de Assis, um produtor rural implantou o sistema após buscar informações sobre o modelo. A área é dividida em piquetes com pastejo rotativo, onde o sombreamento proporcionado pelas árvores contribui para a manutenção da qualidade da pastagem e para o conforto térmico dos animais ao longo do ano.

Técnicos apontam que o sistema permite maior lotação por hectare, com manejo considerado simples e resultados estáveis. Além do gado de corte, a integração também tem sido aplicada na produção de leite e na criação de ovinos.

O sombreamento reduz o estresse térmico no verão e, no inverno, a presença das árvores ajuda a proteger os animais contra a geada. A cobertura vegetal ainda diminui a erosão do solo, melhora a infiltração da água e favorece o aumento da matéria orgânica. Outro fator citado é a possibilidade de diversificação de renda com a produção de madeira.

Em Agudo, um produtor que já cultivava eucalipto passou a integrar a floresta à pecuária. A experiência resultou na ampliação da área implantada e tornou-se referência regional, após reconhecimento em evento do setor florestal.

Impacto ambiental e carbono

Além dos ganhos produtivos, o sistema silvipastoril é apontado como aliado na mitigação dos gases de efeito estufa. A presença de árvores contribui para o sequestro de carbono da atmosfera e para o armazenamento de carbono no solo.

Estimativas técnicas indicam que um hectare de floresta pode compensar a emissão de metano gerada por cerca de dez bovinos. Na prática, o plantio de aproximadamente 15 árvores seria suficiente para neutralizar as emissões de um animal.

A integração entre lavoura, pecuária e floresta faz parte das ações do Plano ABC+ RS, voltado à adaptação da agricultura e à redução das emissões de carbono no Estado. O programa busca conciliar aumento de produtividade, eficiência no uso dos recursos naturais e sustentabilidade ambiental.

Pesquisa acompanha propriedades

O sistema também é objeto de pesquisa acadêmica. Um estudo conduzido pela UFSM (Universidade Federal de Santa Maria), em parceria com instituições de extensão rural, acompanha propriedades em municípios da região Central, incluindo áreas onde o modelo já está implantado.

A pesquisa avalia o crescimento das árvores, a fixação de carbono no solo e os efeitos da integração sobre a produtividade agropecuária. O objetivo é medir os benefícios ambientais e econômicos do sistema e fornecer dados técnicos para ampliar sua adoção.

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