Paulo Roberto Gomes Fernandes já identificava os gargalos operacionais nos portos brasileiros antes mesmo de a discussão sobre digitalização portuária ganhar força no país. A chegada ao Brasil, em janeiro de 2013, de uma nova tecnologia holandesa de controle de atracação representou um movimento estratégico de modernização logística alinhado às necessidades da indústria de óleo e gás.

O sistema Shore Tension, desenvolvido na Holanda em 2007, tem como objetivo manter a tensão das amarras dos navios de forma constante, mesmo em condições adversas. Diferente dos métodos tradicionais, que demandam o uso de embarcações de apoio ou alto consumo de energia, a tecnologia opera por meio de válvulas de controle que ajustam automaticamente a tensão, sem necessidade de fonte externa permanente.

Essa solução contribui para reduzir custos operacionais e elevar a segurança das manobras nos portos brasileiros, atacando um problema recorrente nas operações de grande porte. Além disso, a redução da distância necessária entre embarcações atracadas resulta em ganhos de capacidade operacional em portos congestionados.

Uma vantagem relevante do sistema é o monitoramento contínuo à distância, permitindo que operadores acompanhem, em tempo real, informações sobre a atracação. Essa integração entre operação física e gestão digital contribui para uma tomada de decisão mais segura e profissionalizada.

O Brasil foi escolhido como o primeiro país fora da Holanda a receber essa tecnologia devido ao crescimento das operações ligadas ao óleo, gás e comércio marítimo no país em 2013. Essa movimentação mostra como o mercado brasileiro não é apenas um consumidor de tecnologia, mas também um espaço de validação e demonstração para outras regiões da América do Sul.

Autor: Sarah Jones