Nos últimos tempos, o Brasil conseguiu superar desafios significativos, como a desaceleração do crescimento global devido à pandemia do coronavírus, mantendo um desempenho positivo devido a importantes reformas implementadas no país. Em uma palestra durante a última edição do ano da reunião-almoço Tá na Hora, a economista-chefe do sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac, Patrícia Palermo, destacou esses pontos. O evento ocorreu na quinta-feira, 11, no restaurante do Hotel Águas Claras.

Patrícia apontou a pandemia como um divisor de águas na economia, gerando uma reconfiguração no cenário comercial com maior protecionismo. Essa situação demandou ações para reequilibrar a economia e, posteriormente, para impulsionar o crescimento. Em 2019, o crescimento mundial era em média de 3,7% ao ano, caindo para 3,2% em 2025 e 3,1% em 2026. Para o ano em curso, a previsão é de que o Brasil cresça 2,2%, com a expectativa de que esse número fique em 1,7% em 2026.

A despeito da desaceleração, o país continua apresentando um desempenho positivo, resultado das reformas da Previdência e trabalhista, como apontado por Patrícia. Além disso, a economista destacou a mudança positiva na área tributária, que entrará em vigor em um teste em 2026. Essa simplificação é vista como um atrativo, especialmente por conta da complexidade do regime tributário nacional.

Além do contexto nacional impactado pelas ações governamentais, especialmente no próximo ano por ser um período eleitoral, Patrícia alertou os empreendedores para dois pontos importantes. O primeiro diz respeito ao cenário global marcado por tensões geopolíticas. O segundo destaca a importância das empresas em superar intervenções externas na definição de suas estratégias.

No que se refere às eleições, Patrícia acredita que uma série de medidas preventivas tem sido adotadas para garantir a manutenção do crescimento ou, pelo menos, sua continuidade. Do crescimento esperado de 1,7% em 2026, 0,7 ponto percentual é atribuído às ações do governo. No entanto, a economista ressalta a necessidade de outras medidas integrarem esse grupo de ações, como a redução de gastos públicos e a contenção de ações consideradas populistas.

Uma das propostas citadas por ela é a ampliação da isenção do Imposto de Renda para rendimentos de até R$ 5 mil, o que resultaria em apenas 14% dos brasileiros pagando o tributo. Segundo Patrícia, essa situação inviabilizaria qualquer compensação, uma vez que esse setor é um dos pilares da economia brasileira: o agronegócio.

A série de safras recordes contribuiu para manter os preços das commodities em níveis mais baixos. Isso faz com que o Brasil se torne mais competitivo no mercado internacional. No entanto, a expectativa para o próximo ano é que o agronegócio não apresente números tão expressivos, justificando um desempenho mais moderado.

Essa desaceleração também é resultado da manutenção da alta taxa de juros, que permaneceu em 15% ao ano, conforme decisão do Comitê da Política Monetária (Copom) na última quarta-feira. A previsão de Patrícia é que essa taxa encerre 2026 em 12%.

Inflação e escassez de mão de obra

A inflação tem se mantido sob controle, segundo a economista, com indícios de queda em relação ao que havia sido projetado no início do ano. Esse cenário é impulsionado pela alta taxa de juros – Selic a 15% e juro real em torno de 12% – e fatores como a taxa cambial. O dólar, que teve um aumento expressivo e chegou a ultrapassar R$ 6,20 no início do último ano, apresenta uma expectativa de alta. Em dezembro, essa cotação já havia caído para R$ 5,30, com variação positiva na semana anterior, em resposta a anúncios relacionados a candidaturas nas eleições de 2026.

A desaceleração da inflação não tem sido sentida com tanta intensidade pelos brasileiros, em especial a inflação dos alimentos, que afeta toda a população. Desde 2020, o índice oficial acumula um aumento de 38,2%, enquanto nos supermercados, nesse mesmo período, o aumento chega a 58,2%.

Outro indicador importante é a taxa de ocupação. Atualmente, o país vive um dos melhores momentos, com uma taxa de desemprego de apenas 5,4%. No Rio Grande do Sul, esse número é ainda mais baixo, com 4,3%. Patrícia destaca que esses números correspondem aos indivíduos desempregados que estão ativamente em busca de emprego. É necessário criar mecanismos para incentivar aqueles que, estando desempregados, não estão ativamente procurando emprego, evitando a alta rotatividade e os custos que ela traz às empresas.

“Sensação de dever cumprido”

No discurso durante a reunião-almoço, o presidente da Associação Comercial e Industrial (ACI), Ário Sabbi, destacou que aquela era a última edição do ano e o encerramento de seu mandato na liderança da entidade. Ele ressaltou que, apesar dos desafios, estava satisfeito com a gestão. Ário lembrou que, ao ser convidado a liderar a ACI, a associação enfrentava problemas financeiros e estruturais, que foram endereçados ao longo de seu mandato.

O evento Tá na Hora teve o patrocínio de diversas empresas, como Banrisul, BRDE, BAT, Gazeta Grupo de Comunicações, JTI, Philip Morris Brasil, Sicredi, Unimed, Unisc e Universal.