A implementação da reforma tributária brasileira está provocando uma mudança profunda na forma como empresas de médio e grande porte se relacionam com seus parceiros contábeis. Em meio à necessidade de adaptação às novas regras fiscais, cresce a demanda por escritórios capazes de ir além das obrigações acessórias e passam a atuar como consultores estratégicos dos negócios.
O movimento reflete uma transformação que já vinha sendo observada nos últimos anos, mas que ganhou força com a aprovação do novo modelo tributário. Se antes a principal expectativa das empresas era garantir conformidade fiscal e contábil, agora o desafio envolve compreender os impactos da reforma sobre margens de lucro, precificação, fluxo de caixa, estrutura societária, investimentos e planejamento de longo prazo.
Segundo Andrew Moro, contador e especialista em auditoria, consultoria e governança corporativa, a complexidade da transição tributária exige uma visão mais ampla por parte das empresas.
“A reforma tributária não afeta apenas a área fiscal. Ela impacta diretamente a estratégia empresarial. Dependendo do setor, da estrutura operacional e do modelo de negócios, os reflexos podem ser sentidos na formação de preços, na rentabilidade e até na competitividade da empresa”, afirma.
Com mais de duas décadas de atuação em auditoria e consultoria empresarial, incluindo experiência em projetos conduzidos para grandes grupos econômicos e multinacionais durante sua passagem pela PwC, Moro observa uma mudança significativa no perfil das demandas recebidas pelos escritórios contábeis.
“Os empresários já não buscam apenas alguém para entregar obrigações fiscais. Eles querem informações que os ajudem a tomar decisões. A contabilidade passa a ser uma ferramenta de gestão e não apenas de registro”, explica.
Essa nova realidade impulsiona o crescimento de modelos de atendimento que integram contabilidade, consultoria financeira, planejamento tributário, governança corporativa e suporte estratégico em uma única estrutura. A proposta é transformar dados financeiros em inteligência de negócios, permitindo que gestores identifiquem oportunidades de ganho de eficiência, redução de custos e geração de valor.
A necessidade é ainda mais evidente em empresas que possuem operações mais complexas ou que estão em fase de expansão. Questões como reorganização societária, sucessão empresarial, captação de recursos, fusões e aquisições e preparação para auditorias externas passam a exigir uma visão multidisciplinar e integrada.
De acordo com Moro, a reforma tributária tende a acelerar uma tendência já observada em mercados mais maduros, nos quais escritórios de contabilidade atuam cada vez mais como parceiros estratégicos das lideranças empresariais.
“Estamos vivendo um momento em que os números precisam contar histórias e indicar caminhos. O empresário precisa entender o que os dados financeiros revelam sobre seu negócio e como essas informações podem apoiar decisões futuras”, destaca.
A evolução tecnológica também contribui para essa transformação. Com processos cada vez mais automatizados, atividades operacionais tendem a consumir menos tempo dos profissionais da área, abrindo espaço para análises mais aprofundadas e acompanhamento próximo das estratégias empresariais.
Nesse cenário, cresce a valorização de profissionais com experiência em auditoria, governança e gestão financeira, capazes de conectar aspectos regulatórios às necessidades práticas das empresas.
Para Moro, o papel da contabilidade nos próximos anos será cada vez mais relacionado à geração de inteligência e suporte à tomada de decisão.
“A conformidade continuará sendo essencial, mas deixará de ser o único foco. As empresas precisarão de parceiros que consigam traduzir números em estratégias, antecipar riscos e identificar oportunidades. Essa é a grande transformação que estamos observando no mercado”, conclui.
Guilherme Teixeira 11940110317 [email protected]
